Sobre a palavra domínio
Minha cara Luce, segundo o dicionário, a palavra domínio significa "conhecimento seguro e profundo, supremacia em dirigir e governar ações de outrem, autoridade, soberania, entre outros.
Caminhamos em linhas paralelas, embora convirjamos em alguns pontos e transformemos as situações. Essa convergência é uma via de mais dupla, pois, ora dominamos, ora somos dominados.
Nesse contexto, abrimos leques de interpretações incontáveis. Primando pela via religiosa, percebemos o domínio negativo, uma vez que a maioria das pessoas esqueceram do amor, do amar, da solidariedade, do carinho. Perderam no tempo as boas relações entre as famílias. Esqueceram do amor de Deus, não buscam mais a palavra de vida. E o resultado? Um mundo desumano, de sorrisos disfarçados, de amores descartáveis, de consciência indigesta e seletiva. Isso abre espaço para a discussão social, na qual e pela qual todas as coisas acontecem.
A grosso modo, o que vemos como centro dos pensamentos na sociedade é a promoção da futilidade, da opressão pela aparência perfeita, definida, sarada, construída por ideais sem base. Em momento algum se pensa no tempo, que não espera por ninguém e cobra sua jornada. Em momento algum se olha para a pessoa como um ser e, sim, como objeto. É o "poder" que conta, na verdade, os K adquiridos nas redes sociais.
Com isso, Luce, domínio tornou-se sinônimo de vazio, pois se partirmos para a esfera política, o problema é ainda maior, pois são criados os currais eleitorais, preenchidos de pessoas dependentes dos interesses dos políticos. Nesses lugares, o vazio é o centro do poder. Vazio de expectativas, vazio de solidariedade, vazio de razões reais. Isso tudo se resume no domínio da parcialidade.
Então, Luce, dominar, apesar de parecer poder, pode ser classificado como ausência, medo. Pode ser visto como a tentativa de não expor as fraquezas. O que se conclui que forte mesmo é quem é dominado, pois sobrevive aos domínios e dominadores.
O que me diz, Luce?
Beth Ferreira
Comentários
Postar um comentário