POEMAS SOLTOS
Poemas de Betania Maria de Andrade Ferreira
O abraço
Não fora o
laço, nem o encalço
Não fora o sentimento
fora o amor
Não fora a corda que o envolvia
nem tampouco o nó que o seguia
fora o amor
que evoluiu
Não foram os braços
que sem cansaço os envolvia
fora o amor
que evoluiu
e a tudo transformou
Não fora a vida
que mesmo preenchida
jamais folgou esse sentimento em favor
fora o amor
que evoluiu
e a tudo transformou
e o coração abraçou.
Beth Ferreira
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Lição
E
uma flor me diz no caminho
que
tenho asas e devo voar
mas
uma flor que tem espinhos
por
isso não sei nem andar
e
somente uma estrela, por destino,
enfim
pode me aliviar
Uma
estrela por destino
uma
luz por encomenda
um
carinho por consequência
um
amor o qual se emenda
uma
vida toda inteira
sem
medo, sem estribeira
Uma
vida toda inteira
com
asas sem saber voar
com
carinho sem saber dar
um
amor sem poder entrelaçar
mas
mesmo assim uma vida
com
muitas histórias para contar
E
uma flor me diz no caminho
que
é preciso aprender a voar
Beth Ferreira
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Minha poesia
Minha poesia não está em mim
nem nas palavras
que sorrateiras
escorrem por entre meus dedos
e dançam na folha branca
guiadas pelo bico da caneta.
Ela está no vento, alento
nos sorrisos anônimos
no adeus enamorado
nas flores com suas cores
no verde e suas nuances
no céu com seus desenhos
nos olhos de quem a lê.
Minha poesia não sai de mim...
Ela vem para mim
como se estivesse buscando abrigo
e eu a detenho e protejo com toda arte
amando-a todas as manhãs
incorporando-a no meu falar.
Minha poesia é como eu
sem grades
com rumo certo.
Minha poesia não é grande
mas preenche a minha alma.
Beth Ferreira
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Menino do sertão
Menino do
sertão acorda cedo, tira leite de vaca, campeia o gado
acompanha o pai com a melodia "Rhou, rhou, rhou, ê, ê, ê,aê vaca!...
E o dia cresce na melodia do gado, dos pássaros, com as batidas do coração do
menino
Menino do sertão cresce ligeiro, faz-se homem nos terreiros, laçando gado,
correndo boi no mato, campeando as emoções.
Menino do sertão ama desde cedo, conquista sorrisos nas pegas de boi no mato,
na queda do boi na faixa, na sala do forró das noites de São João.
Menino do sertão é homem desde menino e menino quando fica adulto
traz no braço a força de muitos, no semblante a coragem por muitos, no coração
o amor pelo mundo!
Beth Ferreira
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O rio que passa no meu quintal
Depois da
cerca tem um rio
o rio no meu quintal!
Ele conta os segredos dos campos
dos lírios e dos sorrisos dos carnavais
O meu rio me conta histórias
aquelas que só ele ouviu
não me pede segredo
mas molha meu rosto uma marola faceira
para me lembrar de que
essa estrela é só nossa.
O meu rio canta as canções das lavadeiras
os cânticos do s romeiros
o lamento do pescador amante
O meu rio me banha com sua sabedoria
e vai correndo, correndo até o mar...
Eu sou o rio e o rio sou eu.
Ele vai eu e eu fico.
Eu vou e ele fica.
Até o próximo inverno.
Beth Ferreira
Este comentário foi removido pelo autor.
ResponderExcluirNem sempre as palavras são capazes de traduzir o que sentimos. Ainda sim, é o instrumento mais instigante para criar/ recriar e expressar o "mundo", os sentimentos e dar asas ao pensamento, incutindo memórias, construindo histórias, revelando-nos. Amo!
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